“Censura”, dos mesmos diretores de “GDPR”

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Achou que a União Europeia só sabia votar peças legislativas bonitinhas como a GDPR? Achou errado. Na última quarta-feira (12), o órgão aprovou a polêmica Diretiva de Direitos Autorais, um grupo de reformas nas leis europeias que tratam de direitos autorais na web. O texto tem sido criticado especialmente por conta de seus 11º e 13º artigos, que têm a capacidade de alterar radicalmente a dinâmica da internet como conhecemos.

A primeira diretriz — já apelidada de forma tragicômica como “imposto sobre links” — sugere a implementação de um sistema que obrigue plataformas como Google e Facebook a pagar uma licença para linkar conteúdos jornalísticos, por exemplo. Embora a ideia seja nobre (“recompensar os criadores de conteúdo pelo tráfego gerado nessas plataformas”), ela pode ter o efeito contrário e assassinar, por exemplo, o Google News.

Aliás, a título de curiosidade, o Google News já não existe na Espanha desde 2014. por conta de uma lei local similar.

Já o 13º artigo é ainda mais crítico, forçando todo e qualquer site a impedir o upload de quaisquer materiais que contenham conteúdos protegidos por direitos autorais. A ideia aqui é implementar um sistema que faça varreduras e detecte supostas infrações — o que pode incluir memes, mashups, remixes ou um simples vídeo de si mesmo durante o show de uma banda — antes mesmo que elas estejam online.

Naturalmente, o texto virou motivo de preocupação para muita gente, não apenas por mexer na estrutura básica da web, mas também por impor o uso de filtros complexos em sites de pequeno porte, ameaçando, em geral, a liberdade individual na rede mundial de computadores. A boa notícia é que a Diretiva será votada novamente em janeiro de 2019, então vamos torcer para que ela ao menos amadureça até lá.


While you were sleeping...

  • A Apple fez uma limpa na Mac App Store retirando centenas de aplicativos que estavam rastreando o histórico de navegação do usuário. Nessa faxina, alguns produtos da Trend Micro dançaram — e a empresa teve que reajustá-los às pressas para publicá-los novamente.

  • O hacker russo Pyotr Levashov, de 38 anos, foi considerado culpado pelos EUA por ter operado a botnet Kelihos, usada durante anos para uma série de atividades ilegais. Levashov só será sentenciado em setembro de 2019 e pode ficar anos na prisão.

  • A infecção de roteadores da marca MikroTik ao redor do mundo não para de crescer. Pesquisadores continuam monitorando o número de dispositivos com o script de mineração de criptomoedas e ele já excede a marca dos 280 mil.

 
 
 

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