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Em novo formato, Futurecom 2019 debate atrasos e cuidados com o 5G no Brasil

Ramon de Souza

Ao longo da semana passada — mais especificamente, entre os dias 28 e 31 de outubro —, a capital paulista recebeu a edição 2019 da Futurecom, tradicional feira anual que se consagrou no mercado como a maior do continente no setor de telecomunicações. Com uma nova proposta e uma estrutura renovada, o evento ampliou seu escopo para abordar a transformação digital como um todo; porém, como já se esperava, a chegada da tecnologia 5G continuou sendo o principal tema a ser discutido nos palcos.

O grande destaque deste ano ficou para o número recorde de auditórios simultâneos: foram nove palcos no total, sendo seis deles do Future Congress (com acesso restrito a quem pagou para assistir ao congresso) e três arenas de conteúdo livre (acessíveis para quem adquiriu apenas o ingresso da área de exposições). A ideia foi abordar como a nova era da conectividade móvel vai impactar nos mais diferentes setores, como segurança da informação, judiciário, bancário e órgãos públicos.

Presente no congresso como media partner, a The Hack pôde observar que o mercado está ansioso pela adoção da nova geração das telecomunicações móveis; porém, tudo indica que nosso país se atrasará para estabelecer a infraestrutura de rede necessária. Inicialmente prevista para março de 2020, o leilão de frequências foi adiado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e pode ficar só para 2021, atendendo a um pedido das operadoras que desejam se recuperar financeiramente dos investimentos no 4G.

Por mais que pareça pouca coisa, adiar o leilão em um ano pode gerar um prejuízo de R$ 25 bilhões aos cofres públicos, de acordo com uma pesquisa da Ericsson divulgada durante o evento. O mesmo relatório aponta que o 5G vai gerar R$10 bilhões em investimentos diretos e R$ 250 milhões adicionais em investimentos em pesquisa e desenvolvimento — além de, claro, gerar empregos em diversas áreas distintas.

Uma revolução em todos os setores

Responsável por abrir as palestras do palco “Encontro dos Líderes do Setor”, o maior do congresso principal, Julio Semeghini, secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), ressaltou justamente os desafios encontrados pelo governo brasileiro na implementação da tecnologia. “O que enxergamos é uma visão de oportunidades para todo o país”, afirmou, comentando ainda que existem muitos projetos nacionais de IoT que dependem de tal estrutura funcionando perfeitamente.

Já Pietro Labriola, CEO da TIM, lembrou em sua palestra que as “as tecnologias já existem, falta apenas a conectividade para fazê-las funcionar”. Ao destacar as revoluções que podem resultar da adoção do 5G, o executivo citou cases como melhorias na educação à distância (com o uso de hologramas para aulas ao vivo, por exemplo), telemedicina (controle de equipamentos médicos de forma remota) e segurança pública (com o uso de reconhecimento facial dentro do conceito de smart cities).

O mercado do entretenimento é outro exemplo de setor que só tem a ganhar com os avançados na conectividade móvel — além de jogar online sem problemas de latência, o 5G é essencial para a realização de streaming de vídeo. Ninguém seria melhor para falar sobre isso do que Greg Peters, chief product officer da Netflix, que palestrou sobre como tecnologias globais permitem transmitir histórias locais para um público internacional.

“Na Netflix, nossa missão é empoderar o consumidor e dar vida às histórias que podem vir de qualquer lugar”, ressaltou Greg, citando exemplos de produções brasileiras que se destacaram no exterior, como 3% e Sintonia. O executivo garantiu ainda que a empresa investirá em 30 novas séries originais brasileiras até 2021 e comentou, orgulhoso, de que os investimentos no país já geraram 40 mil empregos indiretos.

E como fica a segurança?

Obviamente, nem tudo são flores — com o advento do 5G, que por natureza vai empoderar ainda mais o setor de IoT, ganhamos um volume massivo de dados trafegando na nuvem e surgem as preocupações com a segurança da informação. Não é à toa que a Futurecom 2019 contou com um auditório dedicado a tal assunto, no qual foram organizadas discussões a respeito dos impactos de tal revolução na segurança do consumidor final.

Afinal, falar sobre cidades inteligentes — por exemplo — é pensar em infraestruturas que, caso comprometidas, podem gerar não apenas violações à privacidade dos cidadãos, mas também a sua segurança física. Carros autônomos, que dependem de uma conectividade constante e um bom funcionamento de todos os seus sensores, são o exemplo mais simples que podemos citar.

De acordo com Yanis Stoyannis, gerente de consultoria e inovação em cibersegurança da Embratel, quanto mais complexas as tecnologias se tornam, maior é o desafio de garantir que nada saia do controle, visto que estamos falando de milhões de linhas de código a serem escritas e revisadas. “Todo o board da empresa precisa se envolver e criar um plano de ação”, afirma, lembrando que segurança deve ser um processo contínuo e fazer parte da cultura corporativa como um todo.

Também é recorrente uma preocupação global a respeito uma preocupação global a respeito de quem é responsável pela infraestrutura do 5G em si — nos Estados Unidos, vale lembrar, tal tópico chegou a causar uma intensa batalha entre o governo e a Huawei, empresa líder do setor. Os norte-americanos demonstraram receio de utilizar hardwares oriundos da China, já que o país asiático possui um longo histórico de manter campanhas de espionagem contra o ocidente.

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