Imprisioned by the Syndicate

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O mundo ainda não conseguiu engolir a repentina prisão de Julian Assange, que foi arrancado de forma bruta de dentro da embaixada equatoriana em Londres no último dia 11. Porém, outro indivíduo detido de forma injusta no mesmo dia não tem recebido a mesma atenção midiática ou apoio popular em comparação com o ciberativista australiano. Estamos falando de Ola Bini, desenvolvedor sueco que morava no Equador e que foi preso no Aeroporto de Mariscal Sucre minutos antes de embarcar em um avião para o Japão.

Ok, agora vamos aos fatos. Bini estaria teoricamente sendo investigado por ter ligações com o WikiLeaks — por mais que, publicamente falando, seja desconhecida qualquer relação entre o programador e o site especializado em divulgar documentos confidenciais. O sueco é famoso por ter colaborado com diversos projetos da comunidade open source, incluindo a implementação JRuby e o protocolo de comunicação criptografada Off-The-Record (OTR).

Ele também já fez parte da agência de consultoria tecnológica ToughtWorks e, após se estabelecer no Equador (decisão tomada por conta de sua paixão natural pela América do Sul), fundou o Centro de Autonomia Digital, uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo desenvolver ferramentas de privacidade digital mais amigáveis para internautas leigos.

A polícia equatoriana afirmou que Bini tentava fugir do país por conta da prisão de Assange, mas sua viagem para o Japão estava agendada desde a semana anterior. Além disso, o desenvolvedor não teve acesso aos seus advogados, não teve seus direitos lidos pelos agentes e lhe foi apresentado um mandado pouco concreto que citava a busca por um “hacker russo” — como dissemos anteriormente, Bini é da Suécia, e não da Rússia.

Como se isso não fosse o suficiente, a acusação formal apresentada posteriormente pelo governo equatoriano para justificar a sua prisão é de “participação no crime de agressão à integridade de sistemas informáticos”. Como supostas provas, as autoridades apresentaram nada além de uma pilha de discos rígidos, pendrives, manuais técnicos e chaves de autenticação dupla — materiais perfeitamente comuns para alguém que trabalha na área de programação.

A triste verdade é que, ao que tudo indica, a prisão de Ola Bini não é nada menos do que uma encenação do governo equatoriano para tentar se distanciar do WikiLeaks e do ciberativismo em geral, enquadrando-o em uma clássica narrativa midiática de “hackers do mal”. Um bode expiatório político, que estava fazendo a coisa certa no lugar errado e na hora errada. Resta acompanharmos o desenrolar desse caso.


While you were sleeping...

  • Uma vulnerabilidade zero day descoberta no Internet Explorer está dando o que falar. Identificada pelo pesquisador John Page, a falha reside na forma como o browser processa arquivos MHT e pode ser explorada até mesmo contra quem não o utiliza.

  • Por falar em zero day, a Kaspersky também revelou ter encontrado uma brecha inédita no Windows e que felizmente já foi consertada através de um patch liberado no dia 10 de abril.

  • A Microsoft confirmou que hackers acessaram emails de um número não-especificado de usuários do Outlook.com (incluindo as caixas registradas pelos domínios MSN e Hotmail). Troque sua senha. Right now.

  • A Sony prometeu que sua próxima geração de consoles — vamos chamá-lo de PlayStation 5 — terá gráficos em 8K, áudio 3D, armazenamento em SSD e retrocompatibilidade com títulos do atual PS4.

 
 
 

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