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Autoridades da Alemanha teriam acesso livre à conversas do WhatsApp, afirma imprensa

Ramon de Souza 0 min

A Bundeskriminalamt (BKA), entidade federal alemã de investigações equivalente à norte-americana FBI, teria encontrado uma forma de espionar conversas no WhatsApp sem precisar da ajuda do mensageiro e sem a necessidade de empregar softwares especiais para tal. A afirmação é oriunda da imprensa local da Alemanha, que, ao longo dos últimos dias, veiculou uma série de reportagens a respeito do assunto.

Citando trabalhos investigativos de dois grandes canais televisivos do país, o jornal Deutsche Welle explicou que a agência teria descoberto uma vulnerabilidade no WhatsApp Web para interceptar os chats de qualquer internauta sem que ele perceba. O método seria capaz de quebrar a criptografia ponta-a-ponta do aplicativo e dispensaria, por exemplo, a necessidade de se instalar malwares no dispositivo da vítima.

Segundo os jornais, o truque foi descoberto após a divulgação de relatórios por promotores federais envolvidos na prisão de Magomed-Ali C, terrorista islâmico que planejava plantar explosivos em shopping centers em Berlim. Nos documentos, há um trecho que dz: “O BKA tem um método que permite com que textos, vídeos, imagens e mensagens de voz curtas sejam reproduzidas em tempo real de uma conta do WhatsApp”.

Intimida pelos jornalistas, a BKA não quis comentar sobre o assunto, limitando-se a dizer que eles “geralmente não providenciam detalhes sobre informações públicas a respeito de suas habilidades técnicas ou operacionais [...] na área de monitoramento de tecnologias da informação, por exemplo”.

Vale lembrar que o governo alemão defende a capacidade das autoridades investigativas de ter livre acesso às plataformas digitais de comunicação para a resolução de crimes, e, desde a reforma de seu Código de Processo Penal em 2017, o país abriu uma brecha legal para o uso dos chamados “trojans federais” com o objetivo de espionar as comunicações de indivíduos que possam representar riscos à segurança nacional.


Fonte: Deutsche Welle

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