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DeepNude: o novo app que prova o lado negro da inteligência artificial

Ramon de Souza

Um novo aplicativo está dando o que falar ao redor da internet — e não é por menos. Batizado sugestivamente de DeepNude, o software utiliza inteligência artificial e a técnica conhecida como deepfake (manipulação avançada e automatizada de imagens) para tirar a roupa de qualquer mulher em fotografias comuns, criando uma falsa imagem de nudez. O programa é um projeto comercial e pode ser adquirido por apenas US$ 50.

Em seu site oficial, o idealizador do DeepNude faz uma bizarra comparação com aqueles clássicos óculos de raio-x que faziam um enorme sucesso nos EUA na década de 80, prometendo dar ao usuário a capacidade de enxergar o corpo feminino por baixo de suas roupas.

(Reprodução: DeepNude)

De acordo com a VICE — que testou o DeepNude usando fotos de modelos diversas —, o app funciona surpreendentemente bem, agindo com eficácia especialmente em casos em que a mulher estiver em trajes mais reveladores. A ferramenta possui uma versão gratuita que aplica tarjetas nas partes íntimas; ao adquirir uma licença, esses elementos são retirados, mas mesmo assim uma marca-d’água “Fake” é inserido nas fotos.

O que, aliás, não faz muita diferença, já que tal selo pode ser facilmente removido usando um editor de imagens comum.

Controvérsia

Obviamente, o DeepNude está causando uma polêmica absurda, e não é para menos. De ética duvidável, o aplicativo tem uma capacidade absurda de ser utilizado para finalidades malignas — além de, é claro, exemplificar um uso misógino e desnecessário de uma tecnologia que tem tudo para ser benéfica à sociedade. Vale a pena ressaltar que o software só funciona com fotografias de mulheres.

Em entrevista à VICE, o criador do projeto — que se identificou com o pseudônimo de Alberto — afirmou que o programa foi feito com base no algoritmo pix2pix desenvolvido pela Universidade da Califórnia. O programador teria usado 10 mil nudes reais para “treinar” a inteligência artificial e justificou a misoginia dizendo que é muito mais fácil encontrar fotos de mulheres nuas do que de homens nus.

“São múltiplas redes, pois cada uma delas tem uma tarefa diferente: localizar as roupas, mascarar as roupas, especular a anatomia, renderizar”, explica Alberto. Ele acredita que a existência do app, por si só, não é maliciosa.

“Eu acho que o você pode fazer com o DeepNude pode ser feito com o Photoshop após algumas horas de tutoriais. Então, se alguém tem más intenções, a existência do DeepNude não vai mudar isso. Se eu não o tivesse criado, alguém provavelmente o faria daqui a um ano”, completa.


Fonte: VICE, DeepNude

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