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O Parler está morto — tens o que é necessário para arquivar seus conteúdos extremistas?

Ramon de Souza 0 min

Na última sexta-feira (8), o Twitter chamou atenção da internet após anunciar a exclusão definitiva da conta oficial de Donald Trump. Bastaram poucas horas após a decisão para que tanto a Play Store quanto a App Store — marketplaces oficiais do, respectivamente, Android e iOS — resolvessem remover o Parler, aplicativo de extrema direita criada em 2018 endossada pelo presidente republicano.

No sábado (9), a Amazon avisou os executivos da plataforma que estaria desligando sua infraestrutura do Web Services (AWS) no dia seguinte. O email enviado à diretoria da Parler foi obtido pelo BuzzFeed News, e, na mensagem, a companhia afirma “ter visto um aumento exponencial de conteúdo violento em seu website, todos violando nossos termos [...] Está claro que o Parler não possui processos efetivos para cumprir os termos da AWS”.

No caso, a Amazon estava se referindo ao fato de que o Parler foi amplamente usado para organizar e apoiar as invasões ao Capitólio dos Estados Unidos na quarta-feira passada (6), durante a certificação de Joe Biden como vencedor das eleições presidenciais do país em 2020. Os protestos violentos, promovidos por apoiadores de Trump, culminaram na morte de cinco indivíduos e foram descritos por Biden como um ato de “terrorismo doméstico”.

“A AWS fornece tecnologia e serviços a clientes em todo o espectro político, e continuamos a respeitar o direito do Parler de determinar por si mesmo qual conteúdo permitirá em seu site. No entanto, não podemos fornecer serviços a um cliente que não é capaz de identificar e remover efetivamente o conteúdo que incentiva ou incita a violência contra outras pessoas”, explicou a Amazon.

(Reprodução: BuzzFeed News)

No momento em que esta reportagem foi escrita, tanto a versão web quanto os aplicativos oficiais para Android e iOS do Parler estavam fora do ar. Em um comunicado oficial, John Matze, CEO da rede social, afirmou que “fará o seu melhor” para mover a sua infraestrutura para outro provedor. “Isto foi um ataque coordenado pelos gigantes da tecnologia para matar a competição em seus marketplaces”, afirmou Matze.

Não acabou aí

Pode parecer que a história acabaria por aí… Só que não. Uma hacker conhecida no Twitter simplesmente como “crash override” está causando comoção depois de ter conseguido aplicar engenharia reversa no aplicativo do Parler e encontrar o endereço web usado pela rede social para recuperar dados. Com isso em mãos, ela conseguiu iniciar um processo de recuperar e arquivar todo o conteúdo da plataforma — incluindo posts e vídeos deletados.

O que acontece é que, ao que tudo indica, o serviço não deletava conteúdos como solicitado pelos seus usuários, mas sim marcava-os como “invisíveis”, mantendo-os em seu servidor. O mais divertido é que todo esse material possui metadados interessantes para investigações contra os organizadores da invasão ao Capitólio, incluindo coordenadas de GPS para a localização de quem publicou vídeos ao vivo do ato, por exemplo.

Em suas mais recentes atualizações, crash override afirmou ter mais de 1,1 milhão de URLs de vídeos do Parler e 56 TB em conteúdo da rede social; ela também pediu ajuda do público para arquivar todo esse material no Internet Archive.


Fonte: BuzzFeed News, The New York Times, VICE

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