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Libra: tudo o que você precisa saber sobre a criptomoeda “do Facebook”

Ramon de Souza

Após algumas semanas de muito mistério e especulação, a Libra — nova criptomoeda cujo desenvolvimento foi fortemente apoiado pelo Facebook — finalmente foi apresentada ao mundo. Construído usando a tecnologia blockchain, o dinheiro virtual tem um plano um tanto ambicioso: ser ainda maior do que o bitcoin e alcançar um status global, sendo uma forma segura, simples, rápida e fácil de pagar por produtos e serviços ao redor do mundo inteiro.

Cerca de 31% da população mundial não possui conta bancária, e é justamente nesse público que a Libra está direcionando seus esforços — algo que fica claro no vídeo de divulgação do projeto.

O site oficial da Libra afirma que “movimentar dinheiro deveria ser tão simples e barato quanto enviar uma mensagem de texto”. Com esse mindset em vista, a moeda promete ser acessível, funcionando até mesmo em celulares de entrada; estável, não sofrendo flutuações graças a uma reserva; ágil, podendo ser usada com planos limitados de internet móvel; e confiável, sendo projetada sobre um protocolo descentralizado com base no blockchain, mas com algumas implementações de segurança cibernética.

O mais bacana é que essa rede é capaz de aguentar até mil transações por segundo (TPS), contra apenas 4,7 TPS do bitcoin. Sua capacidade só é inferior à rede da Visa, que consegue processar 1,7 mil transações.

A aquisição de Libras deve ser como  de qualquer outra criptomoeda, com exchanges disponibilizando o câmbio para qualquer moeda que você desejar. Tudo indica que, em seu lançamento, cada unidade da Libra deve ter mais ou menos o mesmo preço do dólar ou do euro, para não confundir os cidadãos que não possuem muito conhecimento dessa área.

É a moeda do Facebook ou não?

Vale a pena ressaltar que, diferente do que está sendo amplamente noticiado por aí, a Libra não é exatamente “a criptomoeda do Facebook”. A rede social de fato teve um papel importantíssimo no projeto, sendo um de seus membros-fundadores — junto com a Booking, a Bison Trails, a Coinbase, o eBay, o Spotify, a Mastercard, e até o brasileiro Mercado Pago. Enfim. Quem está realmente no comando de tudo é a Libra Association, uma entidade sem fins lucrativos e 100% independente baseada na Suíça.

Acontece que essa associação estabeleceu uma cota de membros em seu conselho, oferecendo uma cadeira para qualquer empresa que investisse pelo menos US$ 10 milhões através de tokens de investimento. Também é necessário que a marca interessada tenha mais de US$ 1 bilhão de valor de mercado, seja capaz de atingir um público de maior do que 20 milhões de pessoas por ano e seja reconhecida como “top 100” dentro de seu ramo de atuação em listas respeitadas pelo mercado, como a Fortune 500.

O envolvimento do Facebook — que, naturalmente, atendeu a todos esses requisitos — no projeto é tão controverso que a própria Libra Association resolveu esclarecer, em uma de suas páginas oficiais, que a companhia de Mark Zuckerberg terá “os mesmos compromissos, privilégios e obrigações financeiras como qualquer outro membro-fundador”.

“A Libra possui potencial para prover bilhões de pessoas ao redor do mundo com acesso a um ecossistema financeiro mais aberto e inclusivo. Nós sabemos que essa jornada está só começando, mas, juntos, podemos alcançar a missão da Libra para criar uma moeda global.” David Marcus, Facebook.

Além disso, a rede social resolveu criar uma subsidiária especialmente para separar essa área de atuação — a Calibra, que também ficará responsável por desenvolver uma carteira digital e por integrar a rede Libra no Messenger e no WhatsApp. A ideia é que seja possível transferir dinheiro diretamente através dos aplicativos de mensagem instantânea, sem que seja necessário qualquer tipo de software adicional.

A ideia de criar uma criptomoeda global e acessível para todos é interessante, mas possui alguns pontos controversos que merecem ser discutidos. Considerar um futuro no qual o planeta inteiro utiliza a mesma moeda — uma moeda controlada por uma associação formada por gigantes do mercado de tecnologia — é algo um pouco distópico, especialmente se levarmos em conta os constantes escândalos nos quais essas mesmas gigantes estão constantemente envolvidas.

De qualquer forma, o lançamento oficial da Libra está previsto para 2020. Você pode conhecer mais sobre o projeto (e inclusive ler o white paper técnico) neste link.


Fonte: Libra

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